Turismo se adapta para receber viajantes com deficiência
Tema de plenária deste sábado (26) durante feira de turismo em São Paulo, acessibilidade no setor depende da integração de toda a cadeia: a começar pelo transporte adaptado, passando pelos meios de hospedagem inclusivos, até as atividades de lazer para quem tem mobilidade reduzida
Déborah de Salles
Viajar ainda é um desafio para pessoas com deficiência no Brasil e no mundo, de acordo com Maria de Fátima Stephan, representante de uma agência de turismo acessível especializada em oferecer pacotes nacionais e internacionais para um público cada vez mais motivado. Segundo Maria, o setor ainda carece de informação para que possa oferecer ao cliente serviços de qualidade. “É muito mais do que uma adaptação, é uma consciência de que o outro tem condições de se movimentar independentemente de sua mobilidade”, afirma.
Foz do Iguaçu foi citado como destino que tem se empenhado nesse tema. Lá já são oferecidos saltos de paraquedas para paraplégicos. Pessoas com mobilidade reduzida têm condições de passear no Parque Nacional de Foz do Iguaçu. Os quartos de quase toda a rede hoteleira da cidade já foram adaptados e os guias de turismo, capacitados, de acordo com a gerente comercial de um receptivo turístico da cidade paranaense, Thailana Frizzo.
Já a capacitação dos profissionais que atuam no mercado de trabalho foi defendida por Esmeralda Serpa, representantes de uma rede de escolas técnicas de São Paulo. “Recepcionistas de meios de hospedagem, taxistas e garçons, por exemplo, precisam estar aptos para atender o turista com deficiência. Temos o desafio de informar e ampliar as condições para que o visitante desfrute do turismo de aventura, de luxo e cultural, por exemplo”, reforçou.
A inclusão da acessibilidade é uma das premissas do Ministério do Turismo. No ano passado, a pasta lançou o Programa Turismo Acessível, um conjunto de ações que promovem a inclusão social e o acesso de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida à atividade turística com segurança e autonomia. Entre eles, o site “Guia Turismo Acessível”, ferramenta que permite ao turista, com deficiência ou não, cadastrar e avaliar restaurantes, estabelecimentos e atrações turísticas segundo seu nível de acessibilidade.
O site permite a navegação de pessoas com deficiência visual, auditiva, física/motora e intelectual. A pesquisa no site pode ser feita por cidade ou por tipo de estabelecimento, entre eles, restaurantes, bares, meios de hospedagens, shoppings, museus, atrativos históricos, parques, zoológicos, cinemas, serviços turísticos e atividades de lazer. A ferramenta, que já está disponível em formato de aplicativo para smartphones, foi premiada em dezembro do ano passado durante a terceira edição do Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web.
